O climatério é uma fase natural da vida da mulher — e, para muitas, também uma das mais desafiadoras. Ondas de calor, noites mal dormidas, mudanças de humor, ressecamento vaginal e alterações no corpo costumam aparecer justamente num momento de muitas responsabilidades, e não raro são tratados como algo que “é assim mesmo”.
Não precisa ser. Entender o que está acontecendo com o corpo é o primeiro passo para escolher, com segurança, o cuidado certo para cada fase. A seguir, o Dr. Wiler Costa, ginecologista com atuação em climatério e menopausa, explica as fases, os sintomas e as opções de tratamento.
O que é o climatério?
O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher. Ele acontece porque os ovários diminuem, de forma gradual, a produção de hormônios — principalmente o estradiol e a progesterona.
Essa transição costuma começar por volta dos 40 a 45 anos e se estende por alguns anos depois da última menstruação. Não é uma doença: é uma fase da vida. Mas as mudanças hormonais podem trazer sintomas que interferem no bem-estar e, a longo prazo, aumentar o risco de algumas condições de saúde — por isso merece acompanhamento.
O que é a menopausa?
A menopausa é um marco dentro do climatério: é a última menstruação da vida da mulher. Como só dá para ter certeza depois, o diagnóstico é feito quando a mulher completa 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique a ausência dos ciclos.
No Brasil, a menopausa acontece, em média, por volta dos 48 aos 51 anos. Algumas situações pedem atenção especial:
- Insuficiência ovariana prematura: quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos. Exige investigação e, em geral, tratamento hormonal para proteger ossos, coração e cérebro.
- Menopausa precoce: entre os 40 e os 45 anos — também merece avaliação individual.
- Menopausa cirúrgica ou induzida: após a retirada dos dois ovários ou alguns tratamentos, como quimioterapia. Os sintomas costumam começar de forma mais abrupta.
As fases: perimenopausa, menopausa e pós-menopausa
- Perimenopausa: os anos que antecedem a última menstruação. Os ciclos ficam irregulares — mais curtos, mais longos ou com fluxo diferente — e os primeiros sintomas podem aparecer. Ainda é possível engravidar.
- Menopausa: a última menstruação, confirmada após 12 meses sem ciclos.
- Pós-menopausa: todos os anos seguintes. Alguns sintomas melhoram com o tempo, enquanto cresce a importância de cuidar dos ossos, do coração e do metabolismo.
Sintomas mais comuns do climatério
Cada mulher vive essa fase de um jeito: há quem quase não sinta diferença e há quem tenha a rotina profundamente afetada. Os sintomas mais frequentes são:
Ondas de calor e suores noturnos
Os fogachos são sensações súbitas de calor no rosto, pescoço e tronco, muitas vezes acompanhadas de vermelhidão, suor e palpitação. À noite, podem interromper o sono várias vezes. Saiba mais no artigo sobre fogachos na menopausa e seu tratamento.
Sono, humor e concentração
Insônia, irritabilidade, ansiedade, tristeza, cansaço e dificuldade de memória e concentração — a chamada “névoa mental” — são queixas comuns e muitas vezes subestimadas.
Ressecamento vaginal e sintomas urinários
A queda do estrogênio afeta os tecidos da vulva, da vagina e da bexiga. Ressecamento, ardência, dor na relação sexual, urgência para urinar e infecções urinárias de repetição fazem parte da síndrome geniturinária da menopausa — que, diferentemente dos fogachos, tende a piorar com o tempo se não for tratada. Leia também sobre ressecamento vaginal na menopausa.
Libido e vida sexual
A diminuição do desejo pode ter várias causas ao mesmo tempo — hormonais, físicas, emocionais e do relacionamento — e merece ser conversada sem constrangimento na consulta.
Corpo e metabolismo
Aumento da gordura abdominal, perda de massa muscular, dores articulares, pele mais fina e seca e queda de cabelo podem surgir ou se intensificar nessa fase.
Ossos e coração: as mudanças silenciosas
Após a menopausa, a perda de massa óssea se acelera e o risco cardiovascular aumenta. Essas alterações não dão sintomas no início — por isso o acompanhamento com exames é tão importante.
Quanto tempo duram os sintomas?
A duração é muito variável. Estudos mostram que as ondas de calor duram, em média, cerca de sete anos, e em parte das mulheres passam de dez anos. Já os sintomas geniturinários costumam persistir ou progredir se não forem tratados. Veja mais em quanto tempo dura a menopausa.
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria das mulheres acima dos 45 anos, o diagnóstico do climatério é clínico: baseia-se na idade, no padrão dos ciclos e nos sintomas. Dosagens hormonais nem sempre são necessárias — elas ajudam em situações específicas, como suspeita de menopausa antes dos 45 anos, mulheres que retiraram o útero ou que usam métodos hormonais.
A consulta também é o momento de fazer um check-up completo, que pode incluir, conforme cada caso:
- Colesterol, glicemia, função da tireoide e outros exames de sangue
- Mamografia, exame preventivo (Papanicolau) e ultrassonografia, quando indicados
- Densitometria óssea, para avaliar o risco de osteoporose
- Avaliação da composição corporal (massa muscular e gordura), quando indicada
Tratamentos para climatério e menopausa
Não existe um tratamento único que sirva para todas. O plano é construído a partir dos sintomas, do histórico de saúde, dos exames e das preferências de cada mulher — e pode combinar diferentes recursos.
Terapia hormonal
A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e os suores noturnos, além de ajudar no sono, no ressecamento vaginal e na prevenção da perda óssea. Mulheres que ainda têm útero usam estrogênio associado a um progestagênio, para proteger o endométrio.
Os hormônios podem ser usados por diferentes vias — gel ou adesivo na pele, comprimidos, aplicação vaginal ou implantes — e a escolha depende de cada caso. De forma geral, a relação entre benefícios e riscos é mais favorável quando o tratamento começa antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa. Saiba mais sobre reposição hormonal e sobre o implante hormonal.
Quando a terapia hormonal não é indicada
Algumas condições contraindicam ou exigem muita cautela com o uso de hormônios — como histórico de câncer de mama ou de endométrio, trombose, AVC ou infarto, doença do fígado em atividade e sangramento vaginal sem diagnóstico. Nesses casos, e para quem prefere não usar hormônios, existem alternativas.
Tratamentos não hormonais
Há medicamentos não hormonais com eficácia comprovada para reduzir as ondas de calor, além de estratégias para o sono, o humor e a saúde íntima. A indicação é sempre individual.
Saúde íntima
Para o ressecamento e a dor na relação, as opções incluem estrogênio vaginal em baixa dose, hidratantes e lubrificantes e o laser íntimo de CO2, que estimula a renovação dos tecidos.
Nutrologia, exercício e composição corporal
Alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas, cálcio e vitamina D, treino de força e sono de qualidade são pilares do tratamento — ajudam a preservar a massa muscular e óssea, controlar o peso e reduzir o risco cardiovascular. Conheça a nutrologia na menopausa e o acompanhamento para emagrecimento e performance.
Como é o acompanhamento com o Dr. Wiler
A consulta dura cerca de uma hora. Há tempo para ouvir sua história, entender os sintomas e os objetivos e explicar, de forma didática, cada opção terapêutica — com seus benefícios, riscos e alternativas. O plano é decidido em conjunto e revisto nos retornos, com ajustes de dose e exames de acompanhamento.
O Dr. Wiler une a ginecologia à nutrologia para olhar a saúde da mulher de forma integral: hormônios, metabolismo, ossos, saúde íntima e qualidade de vida. O atendimento é particular, no Brooklin e em Moema, em São Paulo, com opção de teleconsulta. Veja como funciona o atendimento.
Quando procurar um ginecologista?
Vale agendar uma avaliação se você:
- Tem ondas de calor, suores noturnos ou insônia que atrapalham a rotina
- Percebeu mudanças no humor, na memória, na disposição ou na libido
- Sente ressecamento vaginal, dor na relação ou tem infecções urinárias frequentes
- Está com os ciclos irregulares depois dos 40 anos
- Parou de menstruar antes dos 45 anos
- Teve qualquer sangramento depois de já estar na menopausa — este sinal precisa sempre ser investigado
- Quer cuidar da saúde dos ossos, do coração e do metabolismo nos próximos anos
O climatério é uma fase de mudanças, mas também pode ser o início de um novo cuidado consigo mesma. Com informação e acompanhamento, é possível atravessá-lo com mais equilíbrio, energia e qualidade de vida.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Responsável técnico: Dr. Wiler Costa Faria Júnior — CRM-SP 195343 · RQE 76874.



